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A leitura como recurso para aliviar sofrimento emocional: limites e possibilidades

  • há 1 dia
  • 5 min de leitura

As letras que se juntam e formam as palavras e frases que você está lendo neste artigo nem sempre foram assim. Esse é o resultado de milhares de anos até aqui, o que torna a leitura/escrita talvez a criação mais revolucionária da humanidade, por ser capaz de ensinar algo, eternizar um momento, mudar perspectivas, ajudando constantemente na nossa evolução.



Às vezes, torna-se difícil compreender como tudo começou por meio de símbolos e desenhos registrados com argila nas paredes das cavernas, lá na época popularmente conhecida como “Idade da Pedra”. Inclusive, é graças a essas pinturas que retratavam os hábitos, a caça, as ameaças que somos capazes de compreender a nossa origem. A leitura tem esse poder de nos transportar para épocas que jamais vivemos.


Além de transportar e ensinar sobre nossa história, o hábito de ler também é popularmente conhecido como um ótimo exercício para o cérebro, seja para ampliar o vocabulário, estimular a imaginação, aprender novas habilidades ou até prevenir doenças degenerativas.


Mas será possível que o simples e, ao mesmo tempo, complexo gesto de ler seja capaz de ajudar quando o assunto é autoconhecimento? Nossos conflitos e angústias emocionais também podem ser descritos e compreendidos por meio dos livros, artigos e materiais aos quais temos acesso?


Ao ler, você estimula a capacidade de criar cenários que conversam com a sua realidade. Desenvolve seu lado socioemocional a partir da identificação com o personagem ou ao se colocar no lugar de viver e sentir cada situação descrita. Reflete sobre os comportamentos e sentimentos apresentados na história, principalmente quando estão voltados para o enfrentamento de uma dificuldade e/ou solução. Então sim, ajuda! Pois as histórias são feitas por humanos como você, como eu. E mesmo quando o assunto é fantasia, com dragões, casas feitas de doces, tapetes voadores ou animais falantes, todos esses elementos ainda assim foram criados por alguém que pensa, sente e age no mesmo mundo que nós.


Isso significa que, mesmo com todos os filtros pelos quais uma história passa com o tempo, ela ainda há de apresentar elementos da pessoa que viveu, da época em que aconteceu ou dos sentimentos e pensamentos daquela ocasião.


Embora a própria palavra autoconhecimento aponte para uma jornada individual, essa jornada não precisa ser o tempo todo SOLITÁRIA, nem impedir que se busquem recursos como a leitura para ajudar nesse processo.


Então, sim, sem qualquer dúvida, ler pode ajudar uma pessoa que esteja nesse processo ou que se encontre em sofrimento mental (em nível leve). Pois, se o nível de sofrimento for moderado a grave, a leitura pode não ser suficiente.


E se, durante a leitura deste artigo, você mentalizou os livros de “autoajuda” como um dos recursos para isso: cuidado!


“Nem tudo que tem ajuda no nome ajuda de verdade.”

Segundo o próprio dicionário, a palavra autoajuda é uma prática em que a pessoa usa os próprios meios intelectuais para obter resultados, sejam eles de origem emocional, pessoal ou psicológica.


Porém, quando o foco é depositar esses meios intelectuais em um livro, o segredo não está apenas em LER. O essencial, de verdade, é a forma como você conduz a sua leitura: refletindo, questionando e praticando o que lê.


Quando você assume esse tipo de postura diante das leituras, qualquer livro pode lhe oferecer ensinamentos, sejam eles de autoajuda ou não! Justamente pelos motivos citados anteriormente: identificação com os personagens e eventos da história, a presença de desfechos, soluções ou pontos de vista que podem facilmente nos trazer novas perspectivas para a vida no aqui e agora.


Usando um exemplo pessoal, recentemente, durante uma das minhas leituras em que se analisava uma lenda antiga, deparei-me com a seguinte frase:


“Se vivermos como respiramos, então não poderemos errar.”

Quando refleti sobre essa frase, compreendi que a nossa respiração segue uma ordem infinita: primeiro puxar e depois soltar o ar, e dessa forma sempre funcionou. Então, trazendo essa reflexão para o meu dia a dia: que tal fazer uma coisa de cada vez? Se der um passo de cada vez e na ordem esperada, talvez as chances de dar certo sejam infinitamente MAIORES.


“A chave a ser virada para que um livro seja capaz de te atingir e, quem sabe, transformar é ser um leitor ativo, alguém que busca aprender com o que lê”


Sobre os livros de autoajuda, esses realmente podem ser um recurso a ser considerado, mas antes algumas orientações são importantes na hora de escolher qual livro dessa categoria poderá te auxiliar na compreensão das emoções e da saúde mental:


1.    Quem o escreve? Minimamente, deve ser um profissional de saúde mental credenciado nessa área ou em áreas afins (ex.: psicólogo, psicanalista, médico psiquiatra, terapeuta ocupacional, neuropsicólogo, psicopedagogo etc.).

Saúde mental se cuida com profissional da área de saúde mental.

2.    Qual é a fonte do conteúdo? A famosa “referência bibliográfica”, que você encontra nas últimas páginas dos livros, serve para identificar se aquela obra foi baseada em estudos e pesquisas científicas (de preferência atualizadas), e não apenas nas opiniões, crenças ou experiências do autor.

Lembrando que, mesmo nas obras em que existe essa junção entre teoria e prática, é muito importante mentalizar que os livros de autoajuda são pensados para VENDER muito e no MUNDO TODO. Logo, é um livro que não vai atender a todas as culturas, demandas e estilos de vida. Por esse motivo, leia sempre com o modo “SENSO CRÍTICO” ativado: questione, duvide, discorde, concorde com o que você lê. Seja um leitor ATIVO!


3.    Qual é o objetivo do livro? Evite promessas impossíveis e absurdas, como “resolva sua vida em apenas um mês”.

Assim como descrito anteriormente, se não houver embasamento para essas “promessas”, corre-se o risco de a pessoa frustrar-se ao não conseguir seguir o passo a passo, ou até seguir, mas não alcançar o objetivo. Quando isso acontece, de quem é a culpa? Infelizmente, na maioria das vezes, o leitor acha que é ele o problema. Por isso, reforço a importância de ler com o modo senso crítico ativado.



4.    O contexto no qual é escrito. Não só o conteúdo importa. Observe se os exemplos e exercícios são aplicáveis à sua realidade e se você se identifica com os cenários descritos.

A leitura traz conhecimento, mostra caminhos, ensina, ajuda na interpretação de mundo. Mas, se o contexto do livro não se aplicar ao seu, ao invés de ensinar, pode aprisionar ou até paralisar, causando em alguns leitores a sensação de infelicidade com o meio em que estão inseridos. Nessas situações, existem muitas “camadas” a serem analisadas, mas, no momento da busca por uma solução, sem se atentar aos limites dessa solução, você pode estar criando ou atraindo mais problemas.


Gosto de dizer que a leitura se torna um evento: chorar, rir, sorrir, se envergonhar, suspirar, temer pelo que vai acontecer nas próximas páginas… é uma das armas de poder do adulto. Por isso a importância saber escolher que poder você quer! E o que aponta para isso é a nossa história!


Desde a antiguidade, o livro é sinônimo de poder, de autoridade. Sem leitura, o homem se tornava submisso, fraco, ignorante. Desde os primórdios foi assim — e é até hoje... Você nunca se perguntou por que, a cada revolução, livros e bibliotecas eram queimados?


E agora, com as novas tecnologias, os meios para acessar a leitura também evoluíram… das cavernas para o papel e, agora, para a tela do computador.


Então, que tal escolher hoje uma leitura que alivie tensões, estimule a resiliência e ajude a compreender – com mais humanidade — aquilo que você sente?


 

 

 

 
 
 

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Beatriz Job

Psicóloga para entender o comportamento humano. Psicanalista para desvendar os mistérios do Inconsciente. E Escritora para descrever as linguagens da mente, do coração e da alma.

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